Há muitos mitos em torno do processo de emagrecimento quando o assunto é treino em jejum. Neste blogpost, você conhece os prós e contras da prática.

O jejum intermitente é realmente um assunto muito falado quando mencionamos as dietas mais famosas da atualidade. Tendo-o em mente, a dúvida logo vem: treinar durante o jejum é bom ou ruim?

Como toda ciência que não é exata, quando falamos do nosso corpo a resposta é: depende! 

Quando estamos há algumas horas sem nos alimentar, nossa reserva de glicogênio é menor, fazendo com que o organismo utilize a gordura como fonte de energia. No entanto, afirmar que treinar sem comer ajuda no emagrecimento sem considerar as particularidades de cada caso é um mito, visto que ninguém permanece em jejum o tempo todo. O perigo está em como a pessoa se alimenta nos horários de janela – aqueles em que a alimentação é permitida.

Se você pretende começar a praticar exercícios em jejum, recomendo que inicie por aqueles de baixa intensidade, mas que utilizam a gordura prioritariamente como substrato energético. Alguns exemplos são: corrida, ciclismo, caminhada e natação.

No entanto, se esse hábito já é uma realidade em sua rotina, você pode praticá-lo em exercícios com uma intensidade maior, como é o caso da musculação. Contudo, devo alertar que sua performance pode ser afetada já que, nesses casos, o desempenho no esporte pode ser prejudicado, embora o hábito contribua para o organismo em suas adaptações fisiológicas.

Alerto também que quem treina em jejum deve evitar ficar mais que oito horas sem comer. Esse também não é um hábito indicado para quem possui uma vida sedentária ou se alimenta com exagero de carboidratos.

Se o seu objetivo é emagrecer, recomendo sempre procurar um médico nutrólogo acompanhado de um nutricionista. A análise do seu quadro médico aliada à uma dieta personalizada lhe ajudarão a alcançar o seu objetivo.

Eu posso estar com você nessa missão por mais saúde e qualidade de vida. Em janeiro, lançarei um desafio de 90 dias para quem procura emagrecer e mudar os seus hábitos de vida. Acompanhe-me no blog e através do Instagram (@drcarlostoloi) para mais detalhes. No Telegram, você tem acesso a conteúdos exclusivos, para participar, clique aqui.

Se você é fiel às leituras do meu blog ou me acompanha pelo perfil no Instagram (@drcarlostoloi) sabe que eu realizei um desafio com meus seguidores da rede social em prol de promover saúde e qualidade de vida. O emagrecimento foi uma das consequências mais perceptíveis entre aqueles que estiveram comigo.

O desafio foi realmente um sucesso. Foram 248 pessoas no grupo fechado do Telegram que conseguiram conquistar mais saúde com 30 dias de mudança de hábito.

Até hoje, nós ainda conversamos no grupo, que você pode acessar clicando aqui, e compartilhamos sugestões e dicas para uma vida mais saudável. Afinal, a mudança precisa ser de vida, de forma que estejamos sempre dispostos a estar melhores.

Fiquei muito surpreso com o empenho dos participantes e feliz pelos resultados que alcançamos. Por isso, agora, estou idealizando um novo desafio!

Dessa vez, meu intuito é realizar uma proposta ainda mais completa. Ao invés de 30 dias, serão 90 dias com o meu acompanhamento. Estará incluído:

– Consulta médica comigo;

– Avaliação com nutricionista;

– Exames individuais;

– Aulas semanais;

Como bônus, também darei:

– Exame de Bioimpedância no início e no final do desafio para participantes que podem se deslocar até minha clínica;

– E-book sobre alimentação saudável;

– E-book com receitas saudáveis.

A melhor parte é que abrirei vagas para pessoas de todo o país participarem. No entanto, essas vagas serão limitadas e bastante restritas para que eu consiga acompanhar a todos de perto.

O desafio começa em janeiro de 2021 para que comecemos o ano novo com um novo estilo de vida e, claro, para ajudar a perder os excessos que muita gente comete nas festas de fim de ano.

Em breve, darei mais informações sobre como se inscrever. Fique atento ao site e as minhas redes sociais para mais informações. 

Eu já trabalho com emagrecimento no meu consultório há alguns anos.  Durante todo esse tempo, tornou-se muito comum ouvir dos meus pacientes que conseguem perder peso rapidamente no início do tratamento e, com o tempo, a tarefa vai ficando cada vez mais difícil.

O primeiro passo para entender o porquê isso acontece é tomar consciência que não é o volume de exercícios ou uma dieta restritiva que irá fazer você perder peso de forma efetiva. Por isso, o acompanhamento profissional é tão importante.

Não existe o desejo de emagrecimento por parte do organismo, assim, ele acaba dificultando as adaptações fisiológicas a longo prazo. Como principal característica, podemos citar a diminuição do metabolismo basal, também conhecido como termogênese adaptativa.

O metabolismo basal é a quantidade mínima de energia obtida através da alimentação para que o seu corpo possa manter você vivo quando estiver em estado de repouso. Para ser mais específico, é o que ele precisa para que você continue respirando, que o seu coração continue batendo, dentre outras funções.

A diminuição dos níveis do hormônio da tireóide T3, da leptina e a pouca atividade do sistema simpático contribuem para que o processo de conquista do emagrecimento seja cada vez mais demorado. Isso explica o porquê a tentativa de perder peso pela primeira vez é muito mais fácil que as próximas.

Pensando por outro ponto de vista, o emagrecimento ocorre quando a oferta de alimento é menor do que aquela que o organismo necessita. Isso é simulado através de uma dieta equilibrada.

Assim, o meu conselho é sempre o mesmo: CONSTÂNCIA! Se você quer emagrecer com saúde, precisa mudar seus hábitos e realmente tornar essa mudança parte do seu estilo de vida. Para atingir tal persistência, você precisa parar de acreditar em dietas milagrosas e ser acompanhado por um nutrólogo em parceria com um nutricionista.

O profissional capacitado irá avaliar se você tem algum problema de saúde no organismo que atrapalha o seu emagrecimento, como desequilíbrio hormonal, ou se tudo que precisa é apenas de uma dieta personalizada aliada a prática regular de exercícios físicos.

Se engana quem pensa que a alimentação é o único fator decisivo para obter sucesso durante o processo de emagrecimento. Não importa o quanto você “fecha a boca”, você não irá conseguir mudar os números da balança caso os seus hormônios estejam desregulados.

Para entender como os hormônios influenciam nesse processo, podemos compará-los aos carteiros. Eles possuem como papel levar uma mensagem até as células avisando o que devem fazer e produzir.

Assim, os hormônios regulam ações biológicas do nosso organismo, como a quantidade de açúcar no sangue, avisando as células do tecido se é o momento de metabolizar a glicose.

Tendo isso em vista, é fácil entender que o excesso ou a falta do hormônio tem interferência direta na regulação do peso, tanto para aumentar como para diminuir. Assim, eles possuem a responsabilidade de dosar a quantidade de calorias que gastamos durante o dia, com a desregulação fica mais difícil até para a construção de massa muscular.

Abaixo darei alguns exemplos de hormônios que podem afetar o emagrecimento.

Cortisol:

Conhecido como hormônio do estresse, o cortisol possui algumas funções no organismo, tais quais: redução de inflamações, regulação do sistema imunológico e, claro, regulação do estresse. Em relação ao peso, ele contribui para a glicemia em jejum e função muscular.

Quando está em alta, o paciente apresenta maior estresse e aumento de peso, graças ao ganho de gordura abdominal e queda da massa muscular.

Grelina e GH:

A grelina é o hormônio que diz para o seu cérebro se você quer se alimentar agora ou em outro momento, assim, ela costuma estar em pico antes das refeições. Entendendo esse princípio, é possível perceber que esse hormônio colabora para diminuir o excesso de gordura. Mas, não é só isso, ele também incentiva a produção de outro hormônio, o GH.

O hormônio do crescimento, GH, tem papel importante para o metabolismo da gordura e manutenção da massa muscular. Quem tem mais de 30 anos deve estar ainda mais atento, pois, nessa idade, os níveis diminuem bastante, deixando os efeitos no corpo ainda mais evidentes.

Leptina: 

Esse hormônio é responsável por controlar o apetite e a saciedade. Seu funcionamento ocorre através do tecido adiposo, que avisa o hipotálamo quando a gordura está em excesso e ajusta o consumo de alimentos. Ou seja, a leptina é responsável por adaptar o seu comportamento alimentar de acordo com as necessidades de energia do seu corpo.

Quando você tem muita gordura acumulada, o hormônio é produzido em grande quantidade, mas pessoas com excesso de peso podem possuir resistência a essa funcionalidade.

Além disso, quando há uma perda significativa de gordura de uma só vez, a leptina abaixa e o apetite aumenta, dificultando a perda de peso. Dessa forma, é necessário que a leptina esteja sempre em equilíbrio.

Se você gostou dessa dica e quer saber mais sobre perda de peso e qualidade de vida, siga-me no Instagram: @drcarlostoloi.

Neste mês, a cor verde ganha mais evidência. Setembro é o mês dedicado ao combate do câncer de intestino. A campanha é produzida anualmente pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia e está ganhando cada vez mais força devido ao número de casos dessa natureza.

De acordo com Instituto Nacional do Câncer (INCA), as estatísticas apontam que, em 2020, alcancemos 40.990 casos durante o ano de câncer de intestino, sendo os homens os mais afetados. Apesar de ser altamente curável quando descoberto no princípio da doença, muitas pessoas ignoram os sinais. Para se ter uma ideia do quão isso pode ser perigoso, 19.603 pessoas morreram em 2018 por decorrência do câncer segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer.

Vamos entender melhor?

O que é o câncer de intestino:

Esse câncer engloba os tumores que tem partida na fração do intestino grosso denominada cólon, reto e ânus. O INCA também denomina como câncer de cólon e reto ou colorretal.

O câncer de intestino tem tratamento e chances de cura na grande maioria dos casos, no entanto precisa ser detectado precocemente, quando ainda não atingiu outros órgãos. Uma parte considerável dos tumores têm início a partir de pólipos, conhecidos como lesões benignas que podem surgir na parede interna do intestino grosso.

Alguns fatores são considerados de risco para o surgimento da doença. São eles:

– Idade igual ou superior aos 50 anos;

– Excesso de peso;

– Pouca ingestão de fibras e alto consumo de alimentos processados;

– Histórico familiar ou histórico pessoal de outros tipos de câncer, como mama e ovários;

– Doenças inflamatórias do intestino, como Doença de Crohn.

Atente-se aos sintomas:

Os sintomas podem se confundir com os de hemorróidas ou verminoses, independente do caso é sempre importante procurar o seu médico. Perceba os sinais:

  • Sangue nas fezes;
  • Diarreia ou prisão de ventre;
  • Desconforto na região abdominal;
  • Anemia;
  • Fraqueza;
  • Perda de peso;
  • Fezes muito compridas e finas.

Como prevenir:

A forma de prevenção do câncer de intestino é a mesma que previne centenas de outras doenças: prezar pela qualidade de vida. Fique longe do tabagismo, pratique atividades físicas com regularidade, cuide do seu peso e da sua alimentação.

Como sempre digo aos meus pacientes: é fundamental dar preferência aos alimentos in natura, ter uma alimentação saudável, balanceada e rica em fibras. Mais dicas sobre o que ter em seu prato você pode encontrar baixando o meu ebook.

Compartilhe esse blogpost com os seus amigos e vamos juntos cuidar da saúde.

O portal de notícias PebMed divulgou os resultados de um estudo do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sobre a relação entre a gordura saturada e a sensação de saciedade. Os resultados são surpreendentes!

Um grupo de pesquisadores da instituição descobriu que consumir em excesso alimentos ricos em gordura saturada podem causar a morte de neurônios do hipotálamo, local do cérebro onde se identifica a nossa saciedade. De acordo com a pesquisa, pessoas com obesidade não possuem o pleno funcionamento dos sinalizadores de saciedade como resposta ao nível alto de gordura mesmo tendo mais insulina e leptina no corpo.

Esse fator preocupante acontece porque a estrutura da gordura saturada é parecida com a parede de alguns tipos de bactérias, assim, o organismo reage se protegendo e gera uma inflamação que destrói os sinalizadores de saciedade.

A pesquisa foi desenvolvida com indivíduos magros, obesos e aqueles que passaram pela cirurgia bariátrica. Nos indivíduos magros, a resposta do hipotálamo foi positiva, nos obesos foi muito abaixo do esperado e nos que passaram pela cirurgia foi intermediária.

Outros estudos ainda estão sendo realizados para perceber se é possível reverter esse quadro nos indivíduos obesos. No entanto, já foi possível perceber que a adoção de uma alimentação balanceada contribui para o retorno de vias que haviam sofrido a inflamação.

Antes de encerrar o blogpost de hoje, devo lembrá-lo que a gordura saturada não é a única vilã da alimentação. A gordura trans também não faz bem para a saúde e deve ser evitada, combinado!?

O blog de hoje é um convite. Vou fazer um desafio para os meus seguidores do Instagram (@drcarlostoloi) que desejam alcançar mais saúde e qualidade de vida.

Durante um mês, acompanharei de perto todos aqueles que desejarem participar. Quero ajudar você a melhorar aos poucos a alimentação, incentivar a prática de atividade física e também mostrar que precisamos ter um olhar amplo para todas as partes de nossa vida, como o lazer e o sono.

Para esses trintas dias de desafio, os participantes receberão um ebook escrito por mim que contém dicas que vão desde a ingestão de água até a forma de congelar alimentos. Além disso, também enviarei um calendário para anotação de cada etapa cumprida e uma roda da vida para preenchimento semanal.

Mais que a oportunidade de sentir na prática como a mudança pode ser positiva, darei para dez pessoas um exame de bioimpedância gratuito. Esse exame mostra como está sua composição corporal.

Ao término, quem se destacar ganhará uma avaliação com nutricionista e um mês de acompanhamento com personal trainer.

Conto com você neste desafio! Vamos juntos conquistar uma vida mais saudável. Garanto que você sentirá a mudança no seu corpo e continuará as boas práticas mesmo após os trinta dias.

Visite o meu Instagram e saiba mais: @drcarlostoloi

Imagine a seguinte cena: é aniversário da sua esposa ou marido e você faz um pequeno jantar em casa. Entre uma conversa e outra, você toma algumas latinhas de cerveja. Passados alguns minutos, você começa a ir ao banheiro com grande vontade de urinar. Isso se repete durante a noite!

No dia seguinte, os sintomas aparecem: dor de cabeça, náusea, diarreia, mal-estar e falta de vontade de se alimentar. Essa é a famosa ressaca!

Para a ressaca acontecer é necessário ingerir ao menos um grama de álcool por quilo de peso. Para entender melhor: se uma pessoa pesa 70kg, a ressaca ocorre quando ela ingere uma quantidade superior a 70g de álcool, o que corresponde a mais de quatro latas de cerveja ou cerca de cinco taças de vinho. Mas, claro, essa quantidade pode variar de organismo para organismo.

Tudo começa naquela famosa vontade de urinar toda hora. Essa vontade surge porque o álcool é capaz de inibir o chamado hormônio antidiurético, acionando o estímulo. Assim, quando você urina acaba eliminando muitos sais e causando a desidratação, o que oferece mais um estímulo para a ressaca.

Então, exagerando ou não na bebida é fundamental beber bastante água. Dessa forma, evita-se boa parte dos problemas que aparecem no dia seguinte.

Além da desidratação, outros fatores contribuem para a ressaca, como a quantidade de bebida alcoólica ingerida, a liberacão de agentes inflamatórios e uma noite de sono mal dormida após as horas de bebida.

Para aliviar os sintomas, muitas pessoas recorrem ao famoso paracetamol. Mesmo parecendo inofensivo em casos como esse, a automedicação é sempre perigosa.

O uso do paracetamol sem cuidados durante a ressaca pode causar lesões hepáticas e sangramentos no estômago. Mesmo quando o uso é realmente necessário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda não ultrapassar 4.000 mg, isso vale, inclusive, para quando se toma mais de um remédio que tenha o componente.

Sendo assim, deixo aqui quatro dicas fundamentais para você evitar a ressaca no dia seguinte:

Beba bastante água;
Durma bem;
Não se medique sozinho;
E a mais importante: beba com moderação.

Gostou deste blog? Então, envie o link desse conteúdo para os seus amigos que também sofrem com a ressaca.

 

Provavelmente, essa é uma das perguntas que mais escutei ao longo desses dez anos que atuo na prática clínica. A resposta não é tão simplista como parece. Vamos aos fatos!

Se você é um paciente saudável, não apresenta doenças e deseja um plano alimentar, o mais indicado é que recorra ao nutricionista. Este é o profissional mais adequado para atender às suas necessidades.

No entanto, caso você apresente qualquer sintoma ou seja portador de alguma doença específica, é necessário que consulte primeiro um nutrólogo e, posteriormente, vá ao nutricionista para receber um plano alimentar. O nutrólogo pode sim arquitetar o seu plano alimentar, contudo o nutricionista é o mais indicado para essa tarefa.

 

Quais as diferenças entre o nutrólogo e o nutricionista?

  • A graduação:

O nutrólogo é formado em medicina e o nutricionista em nutrição. São graduações diferentes, que acompanham também durações diferentes. Se pressupormos o tempo de estudo, o nutricionista é, sem dúvidas, o profissional mais habilitado para a prescrição de dieta e orientações nutricionais. Por outro lado, o nutrólogo é o médico mais habilitado para fazer o diagnóstico, além de orientar sobre a fisiopatologia, prognóstico e como ocorre o tratamento das doenças nutricionais.

  • As áreas de atuação:

A nutrologia é uma das especialidades dentro da medicina. Dividindo-se em duas sub-especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM): nutrologia pediátrica e nutrologia parenteral e enteral.

Enquanto que o nutricionista é um profissional com formação generalista, humanista e crítica. Dessa forma, é capacitado para atuar visando à segurança alimentar e à atenção dietética em todas as áreas do conhecimento em que a alimentação e a nutrição se apresentem fundamentais. Sua atuação visa a promoção, manutenção e recuperação da saúde através da nutrição. Além disso, é parte essencial no processo de prevenção de doenças, seja em um nível coletivo ou individual.

  • A caracterização do diagnóstico:

Legalmente, o nutricionista fica restrito ao diagnóstico nutricional, enquanto o médico ao diagnóstico da doença propriamente dita e da instituição da terapêutica. Assim sendo, o nutricionista não dá diagnóstico de doença. Quem determina se o tratamento da doença será apenas dietético, terá intervenção medicamentosa ou cirúrgica é o nutrólogo.

  • Solicitação de exames:

Ambos os profissionais podem solicitar exames laboratoriais para elucidação diagnóstica. No entanto, o nutricionista não pode solicitar exames de imagem, eletrocardiograma, teste ergométrico, monitorização ambulatorial da pressão arterial, holter, exames laboratoriais que necessitem de monitoração médica durante a realização e polissonografia.

Contudo, os nutricionistas possuem competência legal para solicitar exames laboratoriais. Eles podem solicitar os exames necessários ao diagnóstico nutricional, à prescrição dietética e ao acompanhamento da evolução nutricional. Mas, a solicitação de exames por parte dos nutricionistas é limitada aos aspectos nutricionais, para o médico, ela é abrangente.

  • Arsenal terapêutico:

O nutricionista tem como arsenal terapêutico:

– As orientações nutricionais com educação em saúde, muito importante na prevenção de doenças;

– Plano dietético;

– Prescrição de suplementos orais desde que respeitem as doses estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

– Prescrição de plantas medicinais, medicamentos vegetais e fitoterápicos;

O médico nutrólogo tem além do arsenal citado acima:

  • Prescrição de suplementos em doses mais altas ou exclusivos para prescrição médica;

– Prescrição de vitaminas, minerais e ácidos graxos em doses medicamentosas, que muitas vezes excedem as doses estabelecidas pela ANVISA;

– Prescrição dos medicamentos: antibióticos, antiinflamatórios, analgésicos, antitérmicos, corticóides, hipoglicemiantes, antihipertensivos, antiarrítmicos, antiulcerosos, psicotrópicos, medicações endovenosas, intramusculares, nasais ou tópicas;

– Prescrição de fitoterápicos que necessitem de receita médica.

– A prescrição de dietas:

Essa é a diferença mais polêmica! O nutrólogo trata das doenças ligadas à ingestão alimentar. Assim, o diagnóstico dessas doenças deve ser feito por médicos e tratadas por médicos. Só depois de um diagnóstico, o médico encaminhará o paciente ao nutricionista para solicitar o acompanhamento nutricional. É importante salientar que o paciente é livre para ir em quem quiser, entretanto o diagnóstico deve ser firmado antes.

Um bom nutrólogo diagnostica e encaminha para o nutricionista montar o cardápio. É dessa forma que eu trabalho em meu consultório e tenho obtido resultados satisfatórios.

Segundo parecer jurídico do Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico está habilitado a prescrever dietas apenas em casos de doenças. Ou seja, quando envolve estética, é vetado a ele. O Conselho Federal de Nutrição (CFN) não entende dessa forma e defende que a prescrição de dieta via oral seja atividade privativa da nutrição, conforme a lei federal que regulamenta a profissão, alegando que uma resolução não pode transpor uma lei federal.

Essa discussão ainda não teve fim. Médicos vinham fazendo isso nos últimos 150 anos e a nutrição surgiu, assim, como a fisioterapia, com a função de auxiliar a medicina e hoje caminha com as próprias pernas. Tornou-se uma grande ciência e que, quando bem praticada, pode mudar a vida dos pacientes, seja curando ou mudando o prognóstico de doenças.

 

Uma nova perspectiva sobre a obesidade e suas reverberações.

Entre os dias 4 e 7 de junho de 2020 aconteceu o “The Blackburn Course in Obesity Medicine” da Harvard Medical School. O evento é considerado um dos principais eventos mundiais de atualização sobre o tratamento da obesidade.

O curso, inicialmente marcado para acontecer na Faculdade de Harvard,  este ano, diante da pandemia mundial do COVID-19, necessitou ser alterado para o formato remoto, através de sessões ao vivo.

Foram 4 dias intensos, onde a obesidade foi abordada de maneira séria, como merece. Afinal, ela é a doença crônica mais relacionada com mortes ditas evitáveis.

Os professores da Faculdade de Medicina de Harvard e convidados debateram durante 40 horas em 4 dias. Entre os temas, abordamos a epidemiologia, mostrando que mesmo com todas as medidas para controle da doença, o que observamos é um aumento mundial no número de obesos.

Falamos também sobre o grande aumento de casos em paciente cada vez mais novos e em como lidar com a obesidade infantil. Dessa forma, tivemos uma visão em 360 graus, vendo como o problema está relacionado com áreas como: nutrição, cirurgia, endocrinologia, gastroenterologia e saúde mental.

As aulas correlacionaram a obesidade e sua relação com: meditação, ritmo circadiano (a importância do sono),  genética, diabetes, cardiopatias, esteatose hepática (gordura no fígado), enfim, de praticamente tudo relacionado com obesidade.

Conversamos também sobre as novidades relacionadas ao desenvolvimento da doença e sobre as dificuldades no tratamento. Um dos pontos mais debatidos foi o porquê cada paciente responde de uma maneira ao tratamento. Assim, estudamos a necessidade de seguir os seguintes cuidados:

  • Avaliação abrangente do paciente;
  • Gerenciamento médico do paciente com obesidade;
  • Atenção aos distúrbios metabólicos;
  • Acompanhamento otimizado após cirurgia bariátrica;
  • Técnicas eficazes de aconselhamento e motivação para que ele possa lidar melhor com os problemas pessoais causados pela obesidade;
  • Estratégias e terapias emergentes para a obesidade genética;
  • Compreensão de como a dieta influencia os processos metabólicos.

Pensando em tratamento, além do tratamento medicamentoso, endoscópico e cirúrgico, muita atenção foi dada ao tratamento envolvendo a mudança dos hábitos de vida, que envolvem uma alimentação saudável, prática de atividade física, manejo do stress, higiene do sono, entre outros.

Aos poucos irei falar sobre alguns desses temas com você. Acompanhe!