Remédio para emagrecer: Usar ou não?  

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE, cerca de 61,7% da população brasileira está acima do peso. Além disso, 26,8% foi considerada obesa. O Brasil está engordando e não há muita expectativa de mudança. 

Com esse cenário, não é de se espantar que as pessoas busquem opções para o processo de emagrecimento. O remédio é uma delas, muitas vezes caracterizado como um caminho “fácil” na luta para perder peso, mas não é bem assim. 

A verdade é que os medicamentos não devem ser utilizados de forma banal e como primeira opção para emagrecer. O ideal é que as formas mais convencionais, como alimentação saudável e prática de atividade física, sejam testadas antes de partir para opções mais severas. 

Como os remédios agem no organismo? 

Anorexígenos, sacietógenos e inibidores de absorção de gorduras, esses são os três grupos de remédios para emagrecer. Entenda como funciona cada um: 

1- Anorexígenos

São os inibidores de apetite, geralmente feitos a base anfetamina. Esses medicamentos possuem substâncias químicas que, quando ingeridas, transmitem ao cérebro que você já está saciado. Dessa forma, o cérebro transmite essa mensagem para todo o corpo. 

Inicialmente é possível notar uma perda de peso, porém, o corpo pode se acostumar com as substâncias e ignorar os impulsos enviados pelo cérebro. 

Por apresentarem mais efeitos colaterais, são indicados apenas quando os primeiros grupos falharem. Então é necessário estar atento ao famoso “efeito sanfona”. 

Os efeitos colaterais podem incluir: 

  • Taquicardia;
  • Alterações de humor; 
  • Cefaleia;
  • Depressão nervosa;
  • Irritabilidade;
  • Arritmia;
  • Insônia;
  • Confusão mental;
  • Tonturas;
  • Calafrios;
  • Vômitos;
  • Hemorragia;
  • Enjoo.

Exemplos de medicamentos anorexígenos: Anfepramona, Femproporex e Manzidol. 

2- Sacietógenos 

São os remédios que causam sensação de saciedade. Os sacietógenos atuam sobre o sistema nervoso, gerando uma sensação de saciedade no organismo. 

Dessa forma, a pessoa que toma esse medicamento ainda tem fome, mas se sente satisfeita com uma quantidade menor de comida. 

Os efeitos colaterais podem incluir:

  • Prisão de ventre;
  • Boca seca;
  • Insônia;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Palpitações;
  • Dor de cabeça;
  • Ansiedade;
  • Vasodilatação;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Náusea;
  • Delírio;
  • Tontura. 

Exemplos de medicamentos sacietógenos:  O mais conhecido no meio é a Sibutramina. 

3- Inibidores de absorção de gorduras

Atuam na inibição da absorção intestinal de cerca de 30% da gordura ingerida. Esse é um medicamento que não restringe o apetite, atuando no cérebro ou sistema nervoso.  

A sua eficácia depende de uma parceria com a alimentação balanceada. Porque, ao comer demais, os 30% podem não ser suficientes para provocar um déficit calórico e, consequentemente, a perda de peso. 

Os efeitos colaterais podem incluir: 

  • Incontinência fecal;
  • Dor retal;
  • Distúrbios dentais e gengivais; 
  • Infecções do trato respiratório inferior;
  • Irregularidades menstruais; 
  • Ansiedade;
  • Fadiga;
  • Infecção urinária;
  • Distensão abdominal. 

Exemplos de medicamentos inibidores de absorção de gorduras: Orlistat e Cetilistate.

Existe contraindicações para o uso dos medicamentos? 

Assim como a maioria dos medicamentos, a resposta é sim. Os grupos citados acima podem causar alterações no seu organismo.

Os anorexígenos e os sacietógenos podem provocar alterações no funcionamento do sistema nervoso e do sistema cardiovascular. Dessa forma, neles não podem ser utilizados por por pessoas com hipertensão arterial descompensada, arritmias cardíacas, diabetes do tipo 2, depressão, ansiedade, transtornos do humor, impulsos compulsivos e glaucoma. 

Já os inibidores de absorção de gorduras são contraindicados para pessoas com síndrome de má absorção crônica e colestase. 

Devo ou não usar um remédio para emagrecer? 

Como podemos observar acima, os remédios para emagrecer podem causar alterações em seu organismo, além de provocar diversos efeitos colaterais. Sendo assim, vamos aplicar aquele ditado aqui “cada caso é um caso”. 

Essa alternativa de tratamento emagrecedor é indicada para pacientes com muita dificuldade em perder peso e que tenham condições físicas para suportar a medicação. Dessa forma, os remédios só devem ser tomados com indicação médica, pois os efeitos são muito sérios. 

Então procure seu médico e consulte todas as alternativas para o emagrecimento.